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Nota técnica

Descartável ou reutilizável: o que sai mais barato no ano?

O método para comparar as duas rotas no orçamento anual do serviço, e não no preço de etiqueta. Vale para qualquer categoria de material do centro cirúrgico, e às vezes conclui a favor do reutilizável — que é justamente o que torna o método confiável.

Publicado em 11 ago 2026 ·8 min de leitura ·NGD Med

Por que o preço de etiqueta engana

A comparação usual coloca o preço de compra do reutilizável ao lado do preço unitário do descartável. São grandezas diferentes: uma é investimento que se dilui, a outra é consumo que se repete. A comparação que decide é a do custo anual do serviço.

Este artigo é metodológico de propósito. A fórmula vale para ureteroscópio, óptica, fibra laser, trocarte ou qualquer item que exista nas duas versões — e às vezes conclui a favor do reutilizável. É o que a torna utilizável por quem compra.

Os quatro termos da conta

custo anual (reutilizável) =
      (aquisição ÷ vida útil em procedimentos) × procedimentos no ano
    + custo de reprocessamento por ciclo × procedimentos no ano
    + custo médio de reparo × número de reparos no ano
    + custo de indisponibilidade durante o reparo

custo anual (uso único) =
      preço unitário × procedimentos no ano

O primeiro termo quase todo mundo calcula. O segundo é subestimado porque some dentro do custo do centro de material. O terceiro e o quarto costumam não estar em planilha nenhuma — e são os que mudam o resultado.

1. Vida útil

É o divisor, e o número mais sensível da conta. Para ureteroscópio flexível, Martin e colaboradores (2017), no The Journal of Urology, encontraram média de 12,5 casos até a falha em 160 casos acompanhados. O estudo brasileiro de Marchini e colaboradores (2018), na Revista de Medicina da USP, registra que aparelhos novos duram de três a quatro vezes mais que recondicionados.

2. Reprocessamento

Não é o custo do insumo de desinfecção. É o insumo mais o tempo da equipe do centro de material, o rastreamento do ciclo e a ocupação da autoclave ou da lavadora. Esse número é interno e cada instituição precisa levantar o seu — não há literatura que substitua.

3. Reparo

Hennessey e colaboradores (2018), na BJU International, acompanharam 234 procedimentos com 7 aparelhos e 15 danos, e calcularam custo médio de reparo de A$ 695 por caso. O que torna esse termo traiçoeiro é que ele aparece no orçamento do ano seguinte, não no da compra.

4. Indisponibilidade

Se o serviço opera com um único aparelho, o custo real da manutenção não é o do conserto: é o dos procedimentos remarcados ou transferidos. Serviços com reserva diluem esse termo; serviços sem reserva pagam integralmente por ele — e é frequentemente o maior dos quatro.

O eixo ambiental, que entra em edital

A Lei 14.133/2021 admite critérios de sustentabilidade na contratação pública, o que traz a pegada de carbono para dentro da decisão de compra — não como declaração de intenção, mas como critério pontuável.

Pioche e colaboradores (2024), em Gut, aplicaram análise de ciclo de vida no padrão ISO 14040 a gastroscópios e encontraram pegada 2,5 vezes maior no descartável: 10,9 contra 4,7 kg de CO₂ equivalente por exame. McGain e colaboradores (2023), em Intensive Care Medicine, chegaram à mesma direção em equipamento de terapia intensiva.

Vale a ressalva: são estudos de outras categorias de produto e de outros contextos de energia elétrica. A direção do achado é consistente; a magnitude não deve ser transposta diretamente para o Brasil.

Uma planilha de decisão

Componente Reutilizável Uso único
Aquisição ÷ nº de procedimentos preencher R$ 0
Preço unitário R$ 0 preencher
Reprocessamento por ciclo preencher R$ 0
Reparo × frequência preencher R$ 0
Indisponibilidade preencher R$ 0
Custo por procedimento = =

Se faltar um número, comece pelo de reparos do último ano — é o que mais desloca o resultado e o mais fácil de levantar com a engenharia clínica.

Onde isso entra na compra pública

Um termo de referência que compara só preço unitário compra mal, e isso é corrigível na fase de planejamento. Os descritivos técnicos em linguagem de edital estão na página de licitações, e a cotação formal sai em até 24 horas úteis para compor pesquisa de preços.

Perguntas frequentes

Qual é a conta certa para comparar as duas rotas?

A do ano, não a do preço unitário. Some aquisição dividida pela vida útil, reprocessamento por ciclo, reparo multiplicado pela frequência e o custo do tempo em que o serviço fica sem o equipamento. Sem o terceiro e o quarto termos, a comparação favorece artificialmente o reutilizável.

Existe um limiar de volume conhecido?

Para ureteroscópio flexível, Martin e colaboradores (2017) situam o ponto de virada em torno de 99 casos por ano. O número é específico daquele contexto de preços e serve como referência de método, não como regra para toda categoria.

O critério ambiental pode entrar em licitação?

Sim. A Lei 14.133/2021 admite critérios de sustentabilidade na contratação pública. Pioche e colaboradores (2024), em Gut, mediram pegada de carbono 2,5 vezes maior no descartável em análise de ciclo de vida ISO 14040 — 10,9 contra 4,7 kg de CO₂ equivalente por exame.

A NGD Med fornece as duas rotas?

Sim, e é por isso que este método não conclui sempre para o mesmo lado. Veja a linha de descartáveis e a linha reutilizável de urologia, ou peça uma cotação comparativa informando o volume mensal.

Fontes

  1. Martin CJ et al. (2017). The Economic Implications of a Reusable Flexible Digital Ureteroscope: A Cost-Benefit Analysis. The Journal of Urology.
  2. Hennessey D et al. (2018). Single-use disposable digital flexible ureteroscopes: an ex vivo assessment and cost analysis. BJU International.
  3. Pioche M et al. (2024). Environmental impact of single-use versus reusable gastroscopes. Gut.
  4. McGain F et al. (2023). Reusable versus single-use ICU equipment: what's the environmental footprint? Intensive Care Medicine.
  5. Marchini GS et al. (2018). Ureteroscópio flexível reutilizável versus de uso único: análise de custo para modelo de decisão. Revista de Medicina (USP), v.97 n.3.

Este conteúdo tem finalidade informativa e técnica e destina-se a profissionais de saúde e a equipes de compra e engenharia clínica. Não constitui recomendação clínica, protocolo assistencial nem substitui as instruções de uso do fabricante ou a avaliação do profissional responsável pelo procedimento. Os dados citados vêm das fontes referenciadas no texto, cada uma com seu ano de publicação; onde houver menção a custo, considere que preços de mercado mudam. A NGD Med é distribuidora de dispositivos médicos e não presta assistência à saúde.

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